10 animações que provam que desenho NÃO é coisa de criança!

sábado, setembro 30, 2017

Hello sweeties! Hoje estou aqui com um assunto que me incomoda bastante como pessoa que pesquisa a história da animação: essa balela generalista de que desenhos são "coisa de criança"! Gente, é lógico que existe uma infinidade de desenhos animados destinados ao público infantil, mas é uma besteira colossal afirmar que todo desenho é feito exclusivamente para crianças... E partindo dessa ideia é que surgiram polêmicas como a da HBO exibindo A festa da salsicha e os pais escandalizados pelo conteúdo da animação. Pensando nisso, fiz uma lista de desenhos em série ou longas que vem aí pra mostrar que essa arte não é de criancinha... Mas antes vale alguns esclarecimentos sobre a natureza das animações.

1. Animação não é um subgênero do cinema, pelo contrário, surgiu até antes da invenção do cinema (pretendo detalhar isso com um post sobre a história da animação)

2. As primeiras animações vieram inspiradas dos shows de Vaudeville, que eram voltados pro público adulto

3. Até a década de 50, os desenhos eram feitos voltados para todas as idades (em sua maioria), sendo que algumas séries, como Betty Boop e Looney Tunes, tinham um humor muito mais voltado para os adultos.

4. Era impossível, até mesmo pra Disney, fazer desenhos somente pra crianças, afinal, os desenhos eram exibidos nas salas de cinema em todas as sessões, e a maioria dos filmes não eram pra crianças. Se fosse assim, provavelmente a Disney não teria sobrevivido além dos anos 30.

5. Somente nos anos 50, com a popularização da televisão, que começaram a ser feitos desenhos voltados para crianças. Mesmo assim, continuaram a ser feitos desenhos com caráter mais adulto. Até hoje vemos longas e séries de animação que tem apelo com as crianças mas com tiradas ou piadas que só sendo adulto pra entender...

Colocado os pontos acima, vamos a minha listinha!

1.  O Túmulo dos vagalumes

Se tem um povo que entende o caráter universal da animação é o povo japonês! De tanto que lá essa arte se subdivide em tantas categorias que é possível você montar uma grade de programação só de desenhos, com animações de cunho infantil pra menininhas até com alto teor de violência e pornografia. Bom, O túmulo dos vagalumes é uma das animações mais tristes que já vi, sendo capaz de desarmar o mais bruto. O filme traz a história dos irmãos Setsuko e Seita, que vivem no Japão em meio a Segunda Guerra Mundial. Após a morte da mãe num bombardeio americano e a convocação do pai para a Guerra, eles vão morar com alguns parentes. Insatisfeitos, saem da cidade e acabam num abrigo isolado na floresta, onde lutam contra a fome e as doenças e se divertem com as luzes dos vaga-lumes.



2. Family Guy

Sem dúvidas, Seth  Macfarlane já deu N provas de que ele faz animações pra adultos, e ainda vem gente deixar as crianças verem A festa da salsicha achando que é coisa inocente (pra quem não sabe, é dele esse filme). Family Guy, ou A família da pesada é uma animação sensacional, meio ao estilo The simpsons só que com piadas bem mais fortes. Para quem não conhece, o desenho traz a família Griffin, totalmente pirada e disfuncional. A animação trata do dia a dia de Peter (o pai burro e obeso), Lois (a mãe estilo dona-de-casa-que-tenta-corrigir-as-cagadas-do-marido), Chris (o filho tapado), Meg (a filha com baixa auto-estima e ignorada por todos), Stewie (o bebê genial que tenta matar a mãe e tem tendências homossexuais) e Brian (o cão falante, culto e alcoólatra).



3. Robot Chicken 

Partindo do pressuposto que na categoria "animação" entram também filmes e séries de stop-motion, Robot chicken é sensacional. Costumava passar no Cartoon Network (de noite claro kkkk) no programa Adult Swim. Era uma série de esquetes de assuntos variados, as vezes feitas com bonecos (Comandos em ação) ou de personagens de massinha, era muito bom!!!



4. Betty Boop

Como citei lá no começo, esse desenho clássico nunca poderia configurar como desenho animado de criança. Os desenhos eram puro sexo, drogas, violência e isso tudo salpicado de piadas racistas (estamos falando de anos 30 né gente...). Produzido pelo Fleischer Studios, a sensualidade apelativa de Betty criou algumas polêmicas com a censura. Animações em que a personagem era mostrada de seios de fora, roupas mais do que curtas ou peças íntimas fazia parte do pacote de desenhos. Infelizmente, por conta do Código Hayes (sensura) de 1934, que impôs duras regras no cinema e na animação, afetou demais os desenhos da Betty Boop, que acabaram perdendo fama. Mas vale a pena conferir os desenhos dos primeiros 3 anos dela, puro Jazz baby!



5. Fritz, o gato

Fritz the cat é uma adaptação para as telonas das tiras de quadrinhos de mesmo nome de Robert Crumb. O filme focaliza-se em Fritz, um felino antropomórfico, em meados da década de 1960 em Nova York, que explora os ideais do hedonismo e da consciência sociopolítica. O filme é uma sátira com foco na vida universitária americana da época, as relações raciais, o movimento do amor livre, e políticas de esquerda e de direita. Apesar de ser ambientado na década de 60, tem uma pegada super atual. Fritz the Cat é o mais bem sucedido filme independente de animação de todos os tempos, arrecadando US$ 100 milhões no mundo inteiro.



6. Ghost in the shell

Um verdadeiro clássico das animações japonesas, e que teve uma adaptação recente para o cinema live-action que, se formos ver pelo lado positivo, fez com que as pessoas retomassem o interesse por ver o original (e ver que bosta que fizeram nessa adaptação mequetrefe).
O filme mostra Major Motoko, uma agente ciborgue de um grupo policial secreto que tem de lutar contra um grande hacker conhecido como “Mestre Marionete”. O anime tem alto teor filosófico e uma importância enorme na cultura pop e na do cyberpunk.



7. Persépolis

Persepolis é um filme francês de animação de 2007, baseado no romance gráfico autobiográfico homônimo de Marjane Satrapi. O filme foi escrito e dirigido por Satrapi e Vincent Paronnaud. Sua trama começa pouco antes da Revolução Iraniana, quando Marjane atinge a adolescência, e acaba quando ela é uma expatriada de 22 anos. O título é uma referência à cidade histórica de Persépolis. Persepolis foi escolhido pelo governo francês para representar o país na disputa ao Oscar de melhor filme estrangeiro e, apesar de não ter sido indicado na categoria, foi um dos três indicados ao prêmio de melhor filme de animação. Essa "recusa" de colocar Persépolis concorrendo com os filmes me faz pensar: se existe um movimento no qual deseja que não haja distinção entre atores e atrizes que concorrem ao Oscar, porque insistir em colocar animações em categorias diferente dos filmes? Fica aqui o meu questionamento... Na minha opinião, isso mostra o preconceito histórico que a academia (em especial Hollywood) tem com as animações, sempre legando a elas um papel periférico nas narrativas cinemáticas. Uma sub arte, ou subgênero do cinema, isso me irrita!



8. Akira

Esse não é só um clássico da animação japonesa, mas um desenho que foi influente em todo o universo cinematográfico. Não tem como deixar de perceber, depois de assistir Akira, sua influência obras futuristas posteriores. A história gira em torno de Kaneda, líder de uma gangue de motoqueiros na cidade futurista de Neo Tokyo. Um dos amigos de Kaneda, Tetsuo, acabe envolvido em um projeto do governo conhecido como Akira, desencadeando uma verdadeira guerra.
Em busca de salvar Tetsuo, Kaneda e seus colegas vão contra o governo até se depararem com o resultado da tal experiência. E as consequências são explosivas. Filosófica, inovadora e emocionante, essa obra-prima é obrigatória para qualquer amante de ficção-científica.



9. Vidas ao vento


Sem dúvidas, se você curte animações japonesas, com certeza já ouviu (e admira) o trabalho de Hayao Miyazaki, que é só o responsável por A viagem de Chihiro e O castelo animado. Vidas ao vento é do lendário Estúdio Ghibli, é uma história biográfica ficcionalizada de Jiro Horikoshi, o designer do avião de caça Mitsubishi A6M Zero, que foi largamente usado pelo Japão na Segunda Guerra Mundial, e é parcialmente baseado em uma história trágica de Tatsuo Hori, um escritor, poeta e tradutor do Período Shōwa. O longa foi o último trabalho de Miyazaki antes de sua aposentadoria.



10. A pequena loja dos suicídios

Só pelo título dá pra sentir que não é desenho animado de criança né?! A pequena loja de suicídios é um longa de animação francês baseado no livro homônimo de Jean Teule. Em um mundo triste, a humanidade cria regras para o suicídio e o filme conta a história de uma família dona de uma loja que vende produtos para pessoas as quais desejam se suicidar e buscam se lucrar por meio da depressão de seus clientes. Os traços delicados e a música são um toque todo especial pra essa animação!

Bom, espero que tenham curtido a lista de indicações, porque são ótimas animações e... Até a próxima!



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1 comentários

  1. Adorei essa lista! Dentre todos eu tiro meu chapéu para as animações japonesas, elas cobrem um leque bem grande de gêneros! E realmente se engana quem pensa que desenhos animados são coisas de crianças!! Ótimo seu post! Abraços

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