Biografias: Theda Bara

quinta-feira, janeiro 26, 2017

Hello sweeties! Hoje vou retomar um dos vários projetos que inicio aqui e acabou sempre deixando incabados (sorry, sou assim, me empolgo fazendo mil coisas e acabo não terminando nada kkkk) em que trago para vocês a história de vida de personalidades do passado que admiro. Hoje trago a história de uma das atrizes mais emblemáticas da história de Hollywood, por ter sido a primeira Sex symbol e por sua fama de Femme fatale, mas que infelizmente não podemos conhecer sua obra pois a maioria se perdeu... Estou falando de Theda Bara, uma das primeiras estrelas de Hollywood e o primeiro modelo de "gótica" das telonas, bem antes de Vampira e Elvira.


Theda Bara, pode se dizer, que era um personagem criado para uma moça de traços exóticos e que não se encaixava naquele padrão de mocinha de rosto angelical e ar virginal, como Lillian Gish ou Mary Pickford. De acordo com os estúdios, Theda era filha de um artista francês com uma amante árabe, e que seu nome, Theda Bara, era um anagrama de Arab Death (traduzindo, morte árabe). Era uma personagem criada para ser uma anti-heroína no mundo real, interpretando vilãs ou mulheres fortes que levavam homens à ruína.

Theda Bara criança

Theda Bara era, na verdade, Theodosia Burr Goldman, nascida em Cincinnati, Ohio, filha de Bernard Goldman, um alfaiate judeu polonês, e Pauline Louise Françoise, uma imigrante suíça.
Teve uma infância razoável, frequentando a escola e depois ingressando a universidade de Cincinnati, onde estudou por dois anos. Quando adolescente, já demonstrava seu amor pelas artes cênicas, apresentando recitais nas reuniões de família, mas foi na faculdade que teve seu contato com o mundo das artes, se envolvendo em produções teatrais que a levaram a decidir pela carreira de atriz. Abandonou os estudos e mudou-se para Nova York em 1908, onde fez sua estréia na Broadway em The Devil (1908).

Theodosia quando aluna da Universidade de Cincinnati

Depois de fazer uma turnê com a compania de teatro a qual pertencia, Theda, insatisfeita com os papéis que recebia, resolveu tentar a sorte no cinema da Costa Leste. Depois de vários testes, ela finalmente foi escalada num pequeno papel no filme The Stain (1914), dirigido por William Powell. Embora fosse um papel minúsculo, Powell reconheceu o seu potencial e a recomendou a William Fox, dos recém criados Fox Studios. Fox escolheu Bara para ser a primeira estrela de cinema com a imagem completamente fabricada. "Theda", na verdade, é a abreviação de Theodosia e Bara é derivado do sobrenome de seu avô materno, François Barranger de Coppet.
Com sua nova "identidade", Powell dirigiu Theda em seu primeiro grande papel no icônico A fool there was. No papel de uma mulher atraente e perigosa que exercia poder sobre os homens que ela quisesse, passou a ser conhecida como Vamp (não no sentido de vampira, mas como uma mulher predadora, uma precursora da Femme Fatale). Esse nome ganhou sucesso quando Bara citou a um repórter que este era o apelido dado pelos bastidores dos estúdios aos seus personagens.
Assim, aos 29 anos, sem uma carreira prestigiada no teatro, Theda Bara foi a primeira grande estrela que surgiu em Hollywood praticamente da noite para o dia.

Foto publicitária de A fool there was (1915)


Não demorou muito para a moda Vamp se espalhar no cinema, e logo surgiram outras atrizes, como Musidora, Nita Naldi e Pola Negri, mas nenhuma delas se comparava em fama a Theda Bara. Com o início da Primeira Guerra Mundial, ela se juntou ao esforço de guerra e ajudou a levantar centenas de milhares de dólares em títulos de guerra.
Entre 1915 e 1919, Theda já havia feito para a Fox 37 filmes e tinha o salário semanal de US$ 4000,00. Muitos dos papéis eram variantes do estilo vamp que a tornou famosa, mas ela também teve a chance de atuar em papéis como Julieta em Romeo and Juliet (1916).

Theda Bara de Julieta em Romeo and Juliet (1916)

Nesse mesmo ano Theda se mudou para Califórnia onde um novo centro de produção de filmes estava sendo inaugurado, Hollywood, a fim de filmar Cleopatra, um épico grandioso que se tornou sucesso de público e crítica.

Theda Bara em Cleopatra (1917)

Com o final da Primeira Guerra, o público passou a perder o interesse por personagens de moral duvidosa ou perversas, o que fez com que a popularidade de Bara decaísse. Seu papel como uma Colleen irlandesa em Kathleen Mavourneen foi recebido de forma negativa pela comunidade irlandesa que protestou contra a atriz. Por conta da queda de sua fama, o seu contrato de cinco anos com a Fox que havia chegado ao fim não foi renovado.

Theda Bara em Kathleen Mavourneen (1919)

Aproveitando a súbita falta de trabalhos, Theda aproveitou para descansar e fez um cruzeiro para a Europa, esperando que quando voltasse sua influência do passado pudesse lhe garantir algum papel. Infelizmente, a fama de Vamp de Bara estava enraizada no imaginário do público e os diretores de Hollywood tinham receio de contratá-la, o que a fez tentar novamente uma chance nos palcos. Em 1920 ela fez sua estreia em The blue flame, onde ela fazia o papel de uma mulher que é morta por um raio e ressuscitada pelo amante, que descobre que ela se transformou em um vampiro. Apesar da popularidade da peça e de ter dado um bom retorno financeiro a Theda, a peça foi fracasso de crítica.

Cartaz da peça The Blue Flame (1920)

Em 1921 Theda Bara se casou com Charles Brabin, com quem foi casada até sua morte. Depois de seu casamento ela ainda tentou achar algum papel para atuar, mas só participou de um filme, o último de sua carreria, The Unchastened Woman (1925), da Chadwick Pictures Corporation. Em 1926 ela assinou com Hal Roach para filmar uma série de comédia, entretanto, Bara só filmou o primeiro, Madame mistery, onde ela fazia uma paródia de seus papéis de Vamp. Embora tenha se mostrado uma excelente comediante, a série foi um fracasso e Brabin, seu marido, a convenceu de cancelar seu contrato com Roach, encerrando assim sua carreira no cinema. 

Cartaz de Madame Mistery (1926)

Após sua aposentadoria das telonas, Bara ainda fez pequenas participações no teatro e também rádio. Entretanto, sua fama agora era, junto com seu esposo, de anfitriões de renome. Morando em Beverly Hills, suas festas eram famosas entre a alta sociedade. 
Em 1954, Theda começou a sofrer de problemas de estômago e foi diagnosticada com câncer de cólon. Ela morreu devido a complicações da doença em 1955 aos 69 anos.
Mesmo após sua morte, sua fama de Vamp e sex symbol foi imortalizada no imaginário popular, sendo até citada em versos de canções populares, como  em "Red-Hot Hannah": "I know things that Theda Bara's just startin' to learn - make my dresses from asbestos, I'm liable to burn....". A música "Rebecca Came Back From Mecca", diz: "She's as bold as Theda Bara; Theda's bare but Becky's bare-er", e a música "If I had a man like Valentino" possui o refrão, "Theda Bara sure would die; she would never roll another eye".
Theda também é famosa por ser uma das atrizes com o maior número de filmes perdidos. De toda a sua filmografia, somente 3 filmes permanecem intactos. Infelizmente, seus grandes sucessos como Du Barry, Carmen, Salome e Camille estão completamente perdidos. De Cleopatra só restam somente 40 segundos. Para a surpresa, o filme dela em melhor preservação é seu primeiro sucesso A fool there was.

Para encerrar, como sempre, alguns gifs mostrando toda a beleza, mistério e exotismo de uma das maiores estrelas do cinema que infelizmente conhecemos tão pouco: Theda Bara










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9 comentários

  1. Não conhecia, mas fiquei contente de passar a conhecer :) Obrigada. Beijinho

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  2. Nunca nem tinha ouvido falar sobre ela, uma pena termos tantas atrizes que fizeram sucesso e saber que os estúdios não tiveram o cuidado necessário para preservar isso.
    E também é complicado para um artista quando sua fama fica tão enraizada na mente do público poder se reinventar né?! Principalmente quando nem os diretores querem deixá-los tentar algo novo.

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    1. Pois é, Hollywood é muito cruel... Tem muita gente talentosa e que fez um super sucesso... Mas que hoje em dia nem se ouve falar mais... Quanto ao cuidado da preservação... Às vezes até tinham, mas o material dos filmes de antigamente era tão perigoso que mesmo com toda a segurança aconteciam incêndios

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  3. Que quadro MARAVILHOSO esse seu! Não abandone ele, serio hahahah é muito ler biografias assim. Eu sou bem curiosa em biografias (estudante de jornalismo né) e gosto de saber de tudo um pouco. Amei conhecer Theda Bara, uma mulher espetacular, como nunca tinha ouvido falar dela antes?

    Um beijo!

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    1. Pode deixar que não vou abandonar! O negócio é que as vezes me esqueço ou não sei sobre quem falar, mas vou dar prioridade a essas pessoas que foram super famosas e super inovadoras mas que hoje em dia quase ou nunca ouvimos falar...

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  4. Não a conhecia. Mas adorei esse jeito meio gótico dela.
    Queria muito assistir a adaptação dela em Cleopatra. Uma pena terem restado apenas 40 segundos de filme.
    Faça mais biografias de ícones de Hollywood. É muito interessante!
    Beijoos!! ❤️

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    1. Pois é Helen, as vamps são as precursoras das góticas em termos de estilo, sempre com um ar mais dark rsrsrss. Também queria muito ver a versão dela de Cleópatra, dizem que foi fenomenal...

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  5. Menina,que aula de história da arte que foi essa? Adorei e já aplique traga mais posts assim.
    Beijos e sucesso.

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    1. Pode deixar que posts assim não irão faltar! Amo história e suas curiosidades rsrsrs
      bjs

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