Photoplay: a história da revista que criou a cultura de celebridade

sexta-feira, janeiro 29, 2016

Hello Sweeties! Cá estou e desta vez com a história de uma revista que muita gente nem conhece, mas que foi pioneira em muita coisa: a Photoplay Magazine, uma das primeiras revistas para fãs de cinema (uma Tititi da época), mas que acabou criando uma relação de simbiose entre estúdios de cinema e as próprias editoras, que garantia as salas de cinema lotadas a cada tiragem cheia de glamour e fofocas sobre as celebridades de Hollywood.

Capa da Photoplay Magazine em Novembro de 1914, com a atriz Florence Lawrence



A revista Photoplay foi fundada em Chicago no ano de 1911, por J. Stuart Blackton, fundador também da Motion Picture Story.
Inicialmente, a revista apareceu no formato de fotonovela, com enredos e personagens dos filmes do período, sendo largamente utilizada como ferramenta promocional dos mesmos. Somente em 1915, com Julian Johnson James R. Quirk, novos editores chefe da revista, que o formato de notícias e curiosidades sobre a vida dos famosos abriu um novo estilo de revista, voltado para a vida das celebridades.
Entretanto, os verdadeiros precedentes deste estilo datam de 1910, com o escândalo em torno da
Bioghaph girl, uma das primeiras estrelas de cinema.
Florence Lawrence, a Imp girl ou Biograph girl, alcançou grande popularidade nas telonas, mas devido ao fato de o seu nome não ser creditado nos filmes, os fãs começaram a escrever para o estúdio perguntando por ela. Sempre que seu rosto era reconhecido, em especial depois do sucesso de Resurrection (1909). A Biograph Company a chamava simplesmente "The Biograph Girl". Durante os primeiros anos do cinema mudo, os atores não eram creditados, porque os proprietários de estúdios temiam que a fama pudesse levar à exigência de salários mais elevados.
Florence Lawrence, a Biograph girl
Junto a IMP ( Independent Moving Pictures Company of América), a Biograph girl teve sua chance de mostrar sua identidade. Carl Laemmle, dono da empresa, organizou um golpe de publicidade, iniciando um boato de que Lawrence tinha sido morta por um acidente de carro em uma rua de Nova York. Então, alcançando a atenção da mídia, ele noticiou em jornais "We nail a lie" (“nós pregamos uma mentira”), e incluiu a foto de Lawrence. O anúncio declarou que ela estava viva e bem, trabalhando em The Broken Oath, um novo filme da IMP dirigido por Solter. Com este golpe publicitário, nasceu não só a primeira atriz com nome reconhecido pelo público, como a primeira estrela de Hollywood. 
Com a revista Photoplay de 1915, o negócio das jogadas de marketing e rumores envolvendo atores e atrizes passou a ser uma prática comum, que alimentava a indústria cinematográfica e aumentava o vício por fofocas por parte da população.

Com essa fórmula. Photoplay reinou absoluta entre as décadas de 20 e 30, com uma mistura de editorial independente e sagazes artigos sobre os estúdios. 
Como a maioria de seus leitores eram mulheres, a revista passou a veicular também dicas de beleza e moda, além de conselhos amorosos. 
Além disto, a partir de 1920, a revista passou a dar a Medalha de honra Photoplay, feita em ouro, era entregue anualmente para um filme votado pelos leitores. Esta foi uma das primeiras premiações feita para o cinema

Medal of honor Photoplay dada ao filme Beau Geste em 1926

As fofocas feitas pela revista sempre mantiveram um nível light, procurando, muitas vezes, na verdade ocultar os escândalos que ocorriam dentro dos estúdios. O primeiro "bafão" que a Photoplay noticiou foi a história de amor entre Mary Pickford e Douglas Fairbanks. Quando os dois se divorciaram de seus respectivos cônjujes e se casaram  em 1920, a revista lançou uma publicação de página dupla trazendo a história do casal como "a maior história de amor do cinema", deixando para debaixo do tapete todos os episódios de escândalos e infidelidade. A Photoplay absolveu Mary e Doug de seus pecados perante os leitores, vendendo uma história açucarada de amor que rendeu mais fãs dos atores... E bilhetes de cinema comprados. Qual estúdio seria insano em deixar os dois atores mais rentáveis da época terem sua carreira comprometida por uma história de moral dúbia???

Artigo sobre Mary Pickford e Douglas Fairbanks na revista Photoplay


A Photoplay foi tornando-se uma estrela também ao revelar os segredos e histórias dos famosos. Era também especialista em perturbar artistas, e uma das primeiras a experimentar isso foi Theda Bara. Foi a revista que revelou para os fãs que seu nome real era Theodosia Goodman.
Cada capa de revista contava com uma foto pintada de uma artista, e, antes que o leitor chegasse nos artigos, as páginas contavam com fotos dos estúdios e no interior fotos do "cotidiano" das estrelas, como felicidade doméstica ou reuniões entre amigos.
Nos artigos você também poderia ler coisas escritas pelos próprios artistas, como respostas de cartas, ou permitir mini biografias. 
Mas a arma secreta da Photoplay era Adela Rogers St. Johns, que tinha uma coluna de entrevistas com as estrelas de cinema, num clima de ilusória amizade e intimidade. É claro que as confissões publicadas passavam por um crivo para evitar escândalos. 

A única exceção que a revista fez em seu formato de evitar polêmicas foi com a atriz Clara Bow (logo minha diva...), na entrevista cedida a StJohns em 1928. Indo contra o estilo, a narrativa foi toda em primeira pessoa, para dar a ideia de que a própria Clara estava a contar sua dolorosa história de vida, com a intenção de evocar simpatia pela It girl. Infelizmente, o resultado disso foi leitores e colegas horrorizados com  o artigo intitulado "My life". A verdade é que Clara Bow causou foi um grande temor em seus colegas covardes de profissão, que tentavam desesperadamente esconder seus esqueletos nos armários, enquanto ela expôs tudo de seu passado. Honestidade não é bem vista com bons olhos por todos...

Capa da revista Photoplay de 1928, com a história de vida de Clara Bow

Infelizmente, depois de reinar por duas décadas, a Photoplay começou a entrar em declínio em meados dos anos 50, lutando até 1980, quando ela fechou suas portas e seu pessoal foi incorporado a US Magazine. 

Apesar de muitas das celebridades cultuadas pela revista sejam desconhecidas para o grande público, foi a Photoplay a pioneira da cultura de celebridade que vivemos e consumimos, mesmo que sem querer. 
Para os fãs do cinema de origem e era de ouro... Ou que se interessaram após ler essa história aqui, saibam que a maioria dos arquivos da Photoplay encontram-se disponíveis para consulta no Media History Project (LINK AQUI), onde você pode folhear e conhecer mais do cotidiano e velho glamour de Hollywood!


Beijos e até a próxima!




















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1 comentários

  1. Como é bom ler esses artigos! Adorei conhecer e confesso que não sabia da história.. Pra época, as capas eram lindas né? hahahaha Quero essas capas de volta

    www.saidaminhalente.com

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