Biografias: Clara Bow

quarta-feira, outubro 14, 2015

Hello Sweeties! Para quem me conhece não há surpresa quando falo que meu ícone de estilo, minha diva master, é a eterna "it girl" Clara Bow. Meu amor não só por ela como pela vida e produção dela me levou a ter até uma pagina no Facebook dedicada somente a ela... E posso dizer com orgulho de fã que é a maior página sobre o tema (LINK AQUI!)



Bom, tudo começou quando vi a sua atuação em Wings, seu filme mais famoso, o que fez com que eu pesquisasse mais sobre sua vida, e também para saber porque este ícone de uma década inteira, hoje em dia não tem a notoriedade que uma Greta Garbo, Marilyn Monroe ou Audrey Hepburn da vida.
Bom... O que eu encontrei foi estarrecedor. A pequena garota que era a atriz mais cotada em Hollywood, superando qualquer "rival" da época (incluindo Garbo, pasmem!) foi uma vítima do próprio sucesso e, apesar de hoje em dia várias garotas gostarem de se considerarem "it girls", elas sequer desconfiam que este termo foi feito para Bow. Ela era a atriz que cativava por um "não sei o quê", algo inexplicável, que fazia com que homens e mulheres a admirassem. Ela podia não ser a mais bonita, a mais alta, ou a mais bem feita de corpo, mas sua atitude era admirada e invejada por todos. Fiz uma pequena biografia, para resumir (porque senão fico até amanhã falando sobre ela) porque Clara Bow merece mais notoriedade!

Clara Bow na infância


Esta pequena menina, nascida em 29 de Julho de 1905, vinda de um lar extremamente pobre do Brooklin, NY.  Filha de uma mulher com sérios surtos de esquizofrenia e epilepsia (um desses onde ela, com um cutelo, tentou matar Clara enquanto dormia), e de um pai que a violentou na adolescência... Clara Bow conseguiu sobreviver a todas as adversidades, até dormindo na rua por dias.

Clara Bow também sofria com a discriminação na época de escola. Por ser pobre, mal vestida e ruiva (!!!) sofria com as brincadeiras das outras crianças. Preferindo brincar com meninos, mostrou aptidão para o atletismo, mas parou ao presenciar seu amigo e vizinho morrer queimado vivo em um incêndio no prédio onde morava. 
Como a maioria dos americanos dos anos 20, Clara Bow era uma frequentadora assídua dos cinemas, era um verdadeiro refugio em meio um lar miserável, uma escola cruel e as amizades cada vez mais escassas. Decidida a entrar no ramo do cinema, aos dezesseis anos, entrou em um concurso  da revista "Fame and fortune" para participar de um filme. Sem nenhum preparo para atuação ou aulas de teatro, somente com seu talento e força, ela ganhou o concurso, mas não conseguiu um papel.

Clara Bow na revista Fame and fortune, 1921

Com o apoio do pai, Bow se tornou uma verdadeira assombração na vida do editor da revista, até que ele conseguiu uma oportunidade: apresentou-a ao diretor Christian Cabanne, que a escalou em Beyond The Rainbow (1921), onde participou de cinco cenas, incluindo uma cena de choro teatral, que infelizmente foi cortada. Depois de sua primeira atuação, ela fez uma verdadeira peregrinação pelos estúdios, onde era rejeitada, ou por ser nova demais, ou pequena ou gorda. Por um acaso, o diretor Elmer Cliffon viu uma foto de Clara na Motion Picture Classic Magazine e resolveu chamá-la para ela viver um muleque em seu mais novo título: Down to the Sea in ships

Clara Bow em Down to the sea in ships (1923)

Sua atuação, apesar de ser em um filme de baixo orçamento, logo chamou atenção da crítica  e foi escolhida como a mais famosa das WAMPAS baby stars (era uma premiação para jovens talentos femininos).
Em dezembro de 23, Bow deixou Nova York rumo a Hollywood, onde ela estreou sua nova fase em Maytime (1923). 
Em Painted people, Bow pela primeira vez enfrenta problemas com uma colega de elenco, Coleen Moore, que já era famosa no período e se sentia eclipsada pelas aparições de Bow. Mesmo com os protestos de Clara, nada foi feito pois Coleen era casada com o diretor.
Em 1925, foi o ano em que a carreira de Bow deslanchou, com a Paramount, no filme The Plastic Age, onde ela vive uma patricinha bad girl da faculdade. 

Clara Bow em The Plastic Age (1925)


Paralelo a sua escalada no sucesso, também corria uma vida repleta de fofocas de tablóides e casos amorosos. Depois de vários namorados, Bow fica noiva de seu colega de gravação Gilbert Roland. Sempre brincando com as questões de gênero ao aparecer encenando rapazes ou melindrosas, a imagem de Clara foi se formando de uma mulher confiante e moderna: um símbolo flapper.
Já na Paramount, Bow despontou como estrela, fazendo somente em 26 oito filmes, em destaque Dancing mothers. 

Clara Bow em Dancing mothers (1926)

Com contrato reformulado para US$4.000 semanais (uma fortuna para a época) e vínculo de cinco anos com a casa, Bow estrelou em 1927 os filmes que são considerados o auge de sua carreira: Children of divorce, Rough House Rosie, Wings (ganhador do primeiro Oscar!!!), Hula, Get your man e It.
Em It, uma das primeiras versões "Cinderella moderna" no cinema, Clara vive a lojista Betty Lou, que se apaixona pelo seu chefe, Cyrus Waltham (Antonio Moreno). Sua qualidade pessoal, o "it", é o que permite essa história de amor acontecer (Quem quiser ver uma sinopse deste filme, recomendo esta AQUI do blog Vintage Pri). 
Em Wings, sua história com o filme demonstra a importância de seu nome na época. Inicialmente, ela não estava escalada para o filme, mas com sua chegada, toda a história foi modificada para encaixar sua personagem a Mary Preston, vizinha do piloto Jack e que o ama em segredo. Sua participação é brilhante no filme e o mesmo fatura a primeira estatueta do Oscar da história.

Clara Bow em Wings (1927)

Depois de Red Hair, Ladies of the mob, The Fleet's in e Three Weekends, todos de 28, as relações entre a mídia, a alta sociedade de Hollywood e Clara começavam a azedar, pelos seus "poucos" modos e extravagâncias. Seu jeito boêmio e escandaloso era visto com maus olhos pela alta sociedade, o que deixava Bow furiosa. " Eles gritam comigo pra ser mais digna, mas como são pessoas dignas? Eles são uns malditos esnobes, e eu sou uma 'aberração', uma 'curiosidade' para Hollywood, por ser eu mesma".

A única cena em cores com Clara Bow que sobreviveu. 

Com o advento dos filmes falados, ao contrário do que muitos acham, Clara Bow continuou sendo uma das estrelas de elite. The wild party, Dangerous curves e The saturday night kid, mativeram seu status de rainha de Hollywood, mesmo com seu sotaque do Brooklyn. Mas, a pressão para se adaptar aos talkies, somado com os escândalos falsos que estampavam os jornais cada vez mais levando o seu nome, estavam fazendo com que Bow ficasse cada vez mais debilitada, tomando cada vez mais calmantes e sedativos.
Depois de On parade, True to navy, Love among millionaires, The wedding night, Bow já começava a demonstrar sinais de um iminente surto nervoso. Com No limit e Kicks in em 1931, sua fama já começava também a ruir com os escândalos, excesso de trabalho e também um processo judicial envolvendo sua secretária Daisy DeVoe, por má gestão financeira. Por recomendação, Bow, com 25 anos de idade, se internou em um sanatório. Sua carreira estava basicamente encerrada.

Clara Bow em No Limit (1931)


Bow, cansada de Hollywood, se mudou com o também ator Rex Bell, para Nevada, onde se casou com ele em Las Vegas. Recuperada de saúde, ela resolve voltar para Hollywood para gravar alguns filmes e finalmente se aposentar. Com a notícia de sua volta, todos os estúdios logo queriam ela para sim (exceto a Paramout). Howard Hughes ofereceu um contrato para três filmes, Mary Pickford (United Artists) ofereceu o papel de irmã dela em Secrets. Bow acabou por fechar contrato com a Fox film, onde encenou seus dois últimos filmes: Call Her Savage (1932) e Hoop-la (1933), ambos sucessos de bilheteria e crítica.

Clara Bow em seu último filme, Hoop-la (1933)

Depois de se afastar em definitivo dos filmes, Bow e Rex Bell tiveram dois filhos: Tony Beldam e George Beldam. Em 1937, ela e Bell abriram em Los Angeles o "it café", que foi fechado pouco tempo depois.
Bow estava ocasionalmente mostrando sinais de problemas psiquiátricos, se tornando antissocial e proibindo Rex Bell de sair de casa, embora este estava na vida política. Quando Bell se candidatou para o senado, Bow tentou suicídio, deixando uma nota onde afirmava preferir a morte a voltar a vida pública.
Internando-se novamente, Clara foi diagnosticada com esquizofrenia, embora não apresentasse queixas de alucinações. Após sua internação, ela recusou-se a voltar pra casa, passando a viver em uma pequena casa, em Culver city, Los Angeles, aos cuidados de uma enfermeira, de onde raramente saía até a sua morte.

Uma das raras aparições de Clara Bow em público (sem data)

No dia 27 de Setembro de 1965, aos 60 anos de idade, Hollywood perdia uma de suas primeiras grandes estrelas. Vítima de um ataque cardíaco, na autópsia foi revelado que Bow sofria, provavelmente desde a adolescência, de aterosclerose, uma inflamação crônica das artérias do coração e do cérebro.

Bom, mesmo com o descaso de Hollywood em celebrar atrizes contemporâneas a ela mas que nunca chegaram aos seus pés no período, as obras da Clara Bow tem sido redescobertas nesse universo do retrô/vintage, e eu tenho muita felicidade em pensar que estou contribuindo para tal... Pois a estrela dela nunca irá se apagar!!!

Para encerrar, alguns gifs mostrando a maior qualidade dela em cena: as caras e bocas! Tem que ser MUITA atriz pra dizer tudo que tem pra dizer sem falar uma só palavra!!!







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6 comentários

  1. Fiquei encantada com essa super bio da Clara, muito bem escrita, com todos os detalhes importantes da vida pessoal e profissional. Muito bom, já quero outros biografias nesse estilo, hehe =)

    Beijos, Pri
    vintage.blogspot.com

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  2. Uau, a carreira dela foi meteórica, uma pena q a impressa a importunou tanto até ela fica desse jeito!
    Bjs

    http://achadosdamila.blogspot.com.br/
    https://www.facebook.com/achadosdamila

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  3. Conhecia muito pouco sobre ela, adorei a biografia e não imaginava que ela teve uma vida tão conturbada =/ . Enfim, parabéns pelo texto ♥

    Ah, e uma dúvida: foi a Clara quem serviu de inspiração para a criação da personagem Betty Boop? Sei que a personagem teve seu visual inspirado numa atriz da época, e algumas imagens da Bow neste post me fizeram lembrar muito a personagem!

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    1. Obrigada, fico feliz que tenha curtido o post! Quanto sua dúvida, normal... Também gerou dúvidas na época... Mas a verdade é que a Betty boop foi feita inspirada na atriz Helen Kane... Pelo menos foi o que o Estúdio Fleischer disse na época rsrsrs

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    2. Obrigada pela resposta *-* !

      Entendi. Mas de fato, a Betty lembra a Clara, mesmo não tendo sido (aparentemente) inspirada nela xD

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  4. Amo a Clara Bow, e esse poder magnético (o famoso "it") que ela tem é realmente poderoso porque a primeira vez que ouvir falar dela foi só o nome num artigo que nem era sobre ela. Fui pesquisar -sou curiosa- e na primeira vez que vi a foto dela no google já me deu uma vontade louca de saber a quem era ela. Mas enfim, queria fazer uma pergunta: Nesse artigo que eu mencionei era sobre os artista que foram "expulsos" de Hollywood por causa das chegada dos talkies e também eu li algumas biografias da Clara que diziam que ela não se deu muito bem com a chegada deles. Queria saber se o que li era mesmo verdade, pq depois da sua biografia dela (inclusive é ótima) fiquei meio confusa.

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