Chanel nº5 - um perfume, uma história

quarta-feira, maio 07, 2014

Nada mais icônico, atemporal e que transcendeu a era das melindrosas do que o mítico perfume Chanel nº5. É lógico que um perfume tão famoso e estimado por celebridades (e por mim hehehe) teria uma história fantástica a nos contar, envolvendo uma jovem francesa, o amante grão-duque, a Revolução Russa e o perfumista de confiança do Czar.

A história

Antes do furacão Coco Chanel revolucionar a industria dos perfumes, assim como já vinha fazendo na


moda, os perfumes tinham uma função, odor e aspecto bem diferente de hoje em dia. Durante a Primeira Guerra Mundial, não muito longe do tempo de Chanel, as mulheres ainda associavam a higiene pessoal somente ao sabão das avós... Cheiro era uma coisa meio sem importância (ta aí um lado nada glamuroso das Belle Epoque). Mais tarde, elas passaram a usar flagrâncias extraídas de flores como violetas, rosas, flores de laranjeira, jasmim... Ou de fontes animais (!!!). As mulheres mais sofisticadas usavam para a noite um pouco de talco e essências florais para perfumar o corpo. Já os homens tinham como preferência as colônias, usadas generosamente para disfarçar os cheiros desagradáveis (banho que é bom, nada...). De primeira, as mulheres achavam que os líquidos perfumados ajudavam a conservar a pele jovem.
Quando começaram a surgir os boatos de que Coco iria lançar a sua linha de perfumes, sua revolução não só na moda, mas no modo de ser e agir das moças francesas já estava bem difundido. As garçonnes já usavam suéteres e saias curtas plissadas de Chanel, adicionar ao visual uma nova experiência sensorial, um aroma associado a moda e elegância, era algo que viria bem a calhar.
Com o auxílio e seu amante, o Grão-duque Dimitri Pavilovitch, e do amigo perfumista e químico Ernest Beaux, ambos fugidos da revolução bolchevique, Coco se dedicou na formulação de uma flagrância que se tornaria o símbolo de toda uma geração.
Ernest Beaux era o homem perfeito para ajudar Chanel nesta empreitada. Perfumista de confiança da família Romanov, fugiu de São Peterburgo antes da revolução vermelha, se ajuntando ao exército branco no extremo norte, onde o sol brilhava a meia noite e novos odores se apresentavam calorosamente. Na França, o químico se tornou um especialista em perfumes exóticos, fazendo experiências com compostos sintéticos para melhorar e realçar as misturas naturais. Seu encontro com Chanel foi como algo escrito nas estrelas: ambos estavam na hora certa e no lugar certo para darem luz a um dos maiores ícones do século XX: o Chanel nº5.
Os perfumes extremamente adocicados e florais entediavam Chanel. Junto com Beaux, ela buscava "um aroma que evocasse a feminilidade da mulher".
Em 1921, Beaux apresentou a Chanel flagrâncias enumeradas de 1 a 5 e de 20 a 24. Inicialmente, Coco escolheu a de nº 22 para colocar a venda. Mas o perfume que ela realmente tinha gostado era o de nº5 e resolveu lançá-lo junto com sua coleção. Deu a nova flagrância o nome de Chanel nº5.
Exceto algumas pessoas, a fórmula do perfume continua um verdadeiro segredo de estado. Sabe-se que é bastante complexa, com mais de 80 componentes!
Como embalagem, Chanel recusou-se a usar os potinhos barrocos e exageradamente ornamentados que se usavam para perfumes. Preferiu um frasco minimalista e geométrico.
Sua forma de divulgação foi a mais curiosa possível. Ao invés de anúncios de jornal ou revista, preferiu que o boato sobre o seu novo perfume perambulasse pela alta sociedade. Ela mesma usava o perfume e deu alguns frascos para alguns amigos usarem e divulgarem para os mais próximos.
O produto foi um sucesso tão grande que nem Chanel esperava. Lançado no dia 05 de maio de 1921, o perfume resistiu a Grande Depressão, a invasão da França na Segunda Guerra Mundial.
O perfume sempre foi um símbolo de elegância e glamour, mas quando a super diva Marilyn Monroe entrou na história do pequeno frasquinho... A lenda se reascendeu!
Em uma entrevista em 1954, quando questionada por um dos repórteres sobre o que ela usava para dormir, Marilyn simplesmente respondeu: cinco gostas de Chanel nº5.
O perfume se tornou um item necessário para a feminilidade de cada mulher.
Hoje em dia o perfume ainda é um mito e objeto de desejo de muitas... Incluindo eu, pois é necessário um pequeno montante para se comprar alguns ml desse mito. Mas... A sensação de usar e sentir na pele o que as divas e mulheres que tanto despertam nossa admiração usavam... É algo indescritível. É se sentir uma diva a cada borrifada! Desejo a todas aqui um vidrinho de Chanel nº 5 em suas vidas!!!



Bibliografia: Dormindo com o inimigo - a guerra secreta de Coco Chanel. Hal Vaughan

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2 comentários

  1. Tenho uma pena louca de não gostar de Chanel nº 5. Não adianta, começo a espirrar e fico com dor de cabeça :(
    Aceita parceria?
    Beijinhos

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  2. Hey Mary, nem todo mundo consegue gostar do Chanel por conta de alergia, afinal, é um perfume bem forte. Mas... A agência de saúde da UE está pra proibir o componente do perfume que dá alergia... Seria um tipo de musgo que é usado na composição... Quem sabe no futuro você possa vir a gostar :D

    Quanto a parceira... Estamos aí ;)

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