Desabafo: o passivo político e o ativista babaca

terça-feira, abril 01, 2014

Estava pensando em publicar este texto em uma época mais oportuna, como a Copa do mundo ou até nas eleições presidenciais de Outubro, mas a ansiedade ferveu dentro de mim para tocar neste assunto. Os últimos dias foram de grande agitação popular por conta da política, então resolvi mexer nesse assunto que tanto me incomoda: os brasileiros e a política.
Como é um tema que me atormenta há anos, eu pensei em várias maneiras de se abordar um assunto tão complicado como esse. Após uma reflexão, cheguei a conclusão que o relacionamento do brasileiro com a política tem dois perfis bem distintos: a passividade política e o ativismo babaca. É lógico que mesmo neste esquema tem as suas exceções, o que me traz a pequena esperança de que nem tudo está perdido. Mas enfim, vamos ao dois grupos no qual pretendo razoavelmente falar neste pretensioso post.


O passivo político

Quem já não ouviu aquela velha frase "religião, futebol e política não se discute"? Essa é a síntese do "ser" brasileiro, pelo menos em sua maioria. O brasileiro comum tem ojeriza a falar de política, sempre se limitando a falar frases mecanicamente decoradas como "político nenhum presta", "política não serve pra nada" e outros blá blá blás. Este é aquele famoso grupo que a gente ssabe que todo o conhecimento de política deles se limita (e olhe lá) ao que passa nos jornais da TV aberta. Este grupo ás vezes reclama, mas

na maioria das vezes aceita com muita facilidade qualquer coisa que o governo ou o ativismo babaca os impõe. Uma massa bem democrática, pois abrange membros desde as classes mais baixas até a high society (ao contrário do que os ativistas babacas falam que é atitude de classe média). Estes são aqueles que adoram me dizer, e aos meus colegas também, que história é uma matéria que não serve pra nada, que sociologia, geografia e filosofia deveriam ser excluídas da grade acadêmica dando lugar a coisas mais "úteis", como educação física, cálculo entre outras. Afinal, aluno precisa aprender um ofício, e não pensar né?! As pessoas esquecem os deveres (e perigos) do uso das disciplinas humanísticas para o desenvolvimento crítico e intelectual do cidadão. Acham chato participar de um debate sobre a situação política do Brasil, e na hora H, fazem asneira na hora de votar. Essa mentalidade é culpa de uma educação de décadas ensinando que o dever cívico é algo chato, retrógrado, quase pró ditadura. O resultado está aí pra quem quer ver, os ativistas babacas e os próprios passivos, fazendo barbaridades do Brasil

O ativista babaca

Este grupo é em parte a causa da existência do passivo político e das raras exceções que não se encaixam nos dois, sendo que a maioria dos "excluídos" faziam até parte deste ativismo babaca. Ainda dá para subdividir os ativistas babacas, mas não vou me aprofundar nisto porque é um grupo extremamente
barulhento e irritante. Acho que tudo o que eles fazem se resume a agitação sem sentido embasado em um punhado de filosofias desconexas e frases aleatórias de pensadores de esquerda e direita.  Apesar de você encontrá-los pessoalmente na faculdade (ou no bar), o lugar favorito de militância deles é o FACEBOOK! Afinal, todo mundo fica "macho" quando está a quilômetros de distância do "oponente".
Perdi a conta das vezes que tentei argumentar com ativistas babacas, pensando que até eles pudessem a me convencer de que eles estão certos. Mas existe uma certa cartilha de como eles agem na internet: primeiro - discorda de você, segundo - ele apresenta algum pensador que "embasa" o que eles falam, terceiro - na falta de argumentos, começam a te chamar de fascista-coxinha-neonazista-reacionário-machista-olavete-direitista-conservador (uma certa falta de coerência e conhecimento histórico) e saem da conversa declarando sua vitória no pequeno duelo de mentalidades. Coleciono histórias hilárias sobre esses militantes que tive o (des)gosto de conhecer na vida. Uma boa aconteceu há alguns anos, sobre um sujeito militante nato que habitava a faculdade que eu estudava. Como era um revoltado com o "sistema capitalista opressor", praticamente mudou-se para o centro acadêmico do curso. Como ele começava a passar algumas dificuldades financeiras, algumas "boas" almas se ofereceram para pagar um lanche pra ele... Do MCDONALDS. Ao invés de recusar esta oferta de um lanche produzido por uma representante do capitalismo opressor imperialista norte-americano, ele me solta a seguinte fala: Ok, mas só vou comer se vocês tirarem da embalagem...!!!!! Como não rir de uma figura dessas??? Se eu for parar e contar mais histórias, este post não terá fim jamais. O perigo deste grupo em especial é que dele que saem a maioria absoluta dos políticos que regem nosso país. Então, não acredite nestes movimentos "apolíticos" que estão presentes nas manisfestações desde o ano passo. Nas palavras do cumpadi Washington: "Sabe de nada inocente!"


Acho que ninguém aqui quer ser conscientemente parte destes dois grupos, então proponho algumas dicas:

- LEITURA É A MAIOR PROFILAXIA PARA A IGNORÂNCIA. Então meu amigo ou amiga, leia de tudo um pouco! Leia textos da esquerda como o próprio famigerado O capital de Karl Marx, leia Olavo de Carvalho, todos os materiais possíveis antes de sair gritando ao mundo que você é ou não é alguma coisa.

- Tente entender as coisas as quais a população está discutindo. Por exemplo, antes de repetir como um papagaio sobre as atrocidades da Ditadura militar, procure estudar quem está escrevendo sobre a ditadura. Afinal, os maiores estudiosos sobre este acontecimento são pessoas que estavam politicamente envolvidas no período, militantes ou militares. É um recorde recente historicamente e merece muita paciência para ser discutido com racionalidade

- Converse com seus professores, amigos, familiares sobre política. Precisamos cultivar esta tradição de se importar com o que acontece no nosso país.

- Saiba argumentar. Você discutir um assunto não quer dizer ficar gritando e cuspindo palavras de ordem um para o outro. Se você tiver esclarecimento sobre o tema no qual está a discutir, não precisa alterar o tom de voz para mostrar que está certo.

Ah! Para deixar claro minha opinião sobre a estupida pesquisa sobre o estupro (ESTUPRO e não ESTRUPO!): seja lá quem foi que respondeu essa pesquisa ridícula, isso só mostra a mentalidade conflitante  e deprimente do brasileiro, que ao mesmo tempo incentiva a mulher usar quanto menos roupa melhor... E responsabilizar a mesma pelo próprio estupro por usar roupas provocantes. A culpa do estupro é do doente mental que o pratica, que não tá nem aí para quem tá de minissaia ou de burca.

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2 comentários


  1. Gostei do seu post com tema polêmico, do seu ponto de vista e também das suas dicas.

    Só acho que você não devia mais perder seu tempo argumentando com os babacas, ao invés disso que tal escrever um livro? Você é historiadora que tal documentar essa época de manifestações e tudo mais?

    O que acha? Boa Sorte em tudo!
    Um abraço, Cris.

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  2. Oi flor, afiada como sempre. Gosto assim! ;)

    Passando para desejar uma boa semana. Beijos! xx

    http://vintagepri.blogspot.com/

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