Entrando no mundo vintage: Jazz Age e Flappers (parte III)

segunda-feira, janeiro 27, 2014

Encerrando minha pequena série de posts que abordam de uma forma bem geral sobre a década de 20, hoje falarei um pouco sobre a cultura dos loucos anos 20. Afinal, a década de 20 foi de uma efervescência cultural sem comparações, ondes grandes nomes da literatura e de outras artes despontaram.


Literatura e outras artes dos anos 20

A persistência da memória - Salvador Dali
Se for para eu citar nomes dos que simbolizam a década em termos de literatura, Ernest Hemingway, F. S. Fitzgerald e T. S. Eliot se imortalizaram como os grandes escritores daquela geração. Além deles pode se acrescentar um dos maiores marcos para a cultura norte-americana: o Renascimento do Harlem, de onde a cultura negra ganhou seu espaço na sociedade por meio da literatura de Langston Hughes, Zora Neale Hurston, Countee Clullen e Claude McKlay. Toda essa nova leva de escritores dava voz a uma geração cheia de energia, ambição e completo desprezo a valores considerados obsoletos. Uma geração provada na Primeira Guerra Mundial e a falsa promessa do sonho americano. Muitos deles se exilaram na Europa, principalmente em Paris, tornado a cidade um verdadeiro caldeirão de artistas cheios de paixão, ideias e realizações.
Capa da primeira edição de O grande
Gatsby de F. S. Fitzgerald
No filme do grande direitor Woody Allen Meia noite em Paris, ele faz uma alusão a este momento singular da história, no qual o seu personagem pega uma condução que o transporta diretamente a Paris dos anos 20, cheia de artistas como Pablo Picasso, Cocteau, Stravinsky, Salvador Dali, Chanel, Marcel Duchamp
entre outros grandes nomes das artes convivendo no mesmo espaço. Creio que poucos momentos da história presenciaram ao mesmo tempo tantos talentos em tantos segmentos artísticos ao mesmo tempo. Duas escolas artísticas surgiram neste momento e foram as principais marcas da década: o surrealismo e a Art deco, sendo que esta encontrou seu maior sucesso na arquitetura do período. A art deco se tornou uma marca registrada das cidades de Nova York e Chicago com seus novíssimos arranha-céus, de fornas simples, sóbrias e geométricas. De todos os prédios feitos em art deco, destaca-se o famoso Empire State Building de Nova York.
Além destas artes, a fotografia, invento relativamente recente, foi reconhecido como uma forma de arte.



O nascimento da cultura de massa: cinema e rádio

Com o final da Primeira Grande Guerra, os Estados Unidos entraram em um período de prosperidade sem igual, no qual grande parcela da população, com um poder aquisitivo nunca antes presenciado na história. Pela primeira vez o cidadão poderia ter seu tempo de lazer, e toda uma industria surgiu em prol deste trabalhador com horas e dinheiro nos bolsos para se entreter. Encabeçando esse novo mercado do entreterimento duas invenções fresquinhas: o rádio e o cinema.
O rádio, invenção que ainda se briga para saber quem foi o real inventor (Segundo alguns autores, a tecnologia de transmissão de som por ondas de rádio foi desenvolvida pelo italiano Guglielmo Marconi, no
fim do século XIX, mas a Suprema Corte Americana concedeu a Nikola Tesla o mérito da criação do rádio, tendo em vista que Marconi usara 19 patentes de Tesla em seu projeto. Na mesma época em 1893, no Brasil, o padre Roberto Landell de Moura também buscava resultados semelhantes, em experiências feitas em Porto Alegre, no bairro Medianeira, onde ficava sua paróquia. Ele fez as primeiras transmissões de rádio no mundo, entre a Medianeira e o morro Santa Teresa.) teve suas primeiras transmissões e emissoras durante a década de 20, se tornando uma febre nacional, levando não só notícias, mas o novo som do Jazz para todos os cantos da América. Os programas nacionais das recém criadas emissoras de rádio ainda contavam com o patrocínio de marcas, trazendo um novo conceito de marketing para o mundo.
Outra industria do lazer tomou conta do imaginário da década de 20: o cinema. Era um segmento em franca ascenção desde a virada do século, com o surgimento dos primeiros estúdios dos Estados Unidos, visando fazer rivalidade com os filmes franceses. O início da década de 20 marcava uma grande reviravolta na história desta arte tão nova. Com a criação do Trust de Thomas Edison em NY, que havia monopolizado entre seus "amigos" a produção e distribuição de filmes, os produtores e distribuidores que se sentiram
prejudicados pelo esquema se mudaram para a distante Hollywood para conseguirem produzir filmes que competissem e desbancassem o grupo de Edison. Nascia assim o cinema hollywoodiano que tanto amamos, e que trouxe consigo as primeiras super estrelas: Theda Bara, Buster Keaton, Louise Brooks, Lillian Gish, Mary Pickford, Rodolfo Valentino, Clara Bow, Charles Chaplin, Douglas Fairbanks... E por aí vai... Até o final da década, a prosperidade era tamanha que o cinema ainda viveu uma nova revolução: o filme falado, com o lançamento de The jazz singer, pela Warner Bros. em 1927.


Bom... Espero que tenha ajudado a vocês conhecerem e se interessarem mais pela década de 20 com esta minha série de posts.







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2 comentários

  1. Tema interessante, post muito bem escrito. Amei *-*
    já estou seguindo aqui, retribui ? bjs
    http://www.papodemeninasaer.com

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