Divas do cinema mudo

sexta-feira, janeiro 03, 2014


Tenho predileção pelas divas do cinema mudo as do cinema clássico - isto é um fato que não escondo de ninguém. Isso não é desmerecer as grandes atrizes deste período que até hoje são relembradas.
Talvez o simples fato de que as atrizes do cinema mudo foram as pioneiras, as que na base de sua sensibilidade e talento bruto introduziram todas as técnicas e estilos que tornaram famosas uma Greta Garbo ou uma Marilyn Monroe. Antes destas tiveram mulheres que faziam arte pela arte, ganhando pouco mas fazendo com perfeição aquilo que consolidaram como a sétima arte.
Tranquilizo a todos que neste post não me delongarei sobre a Clara Bow novamente, afinal, já fiz vários posts sobre a eterna "it girl" e seu indubitável porém pouco reconhecido (na atualidade) talento. Neste post trarei algumas das minhas atrizes favoritas do cinema de origem e do ápice do cinema mudo. Minhas favoritas claro, pois se for colocar todas que são dignas de crédito, este post levaria dias. Dentre as que citarei estão: Jean Harlow (apesar de sua fama se consolidar nos talkies, ela foi uma atriz da transição dos mudos...) , Brigitte Helm, Musidora e Louise Brooks.


Jean Harlow


Antes de Marilyn, esta sim foi a primeira "loira platinada" a ganhar o coração de todos os que frequentavam os cinemas.
Jean era filha de um bem sucedido dentista e de uma dona-de-casa. Aos 16 anos de idade fugiu de casa para se casar com o jovem empresário Charles McGrew, o casal logo mudou para Los Angeles, onde ela
iniciou sua carreira. Jean começou em Hollywood como figurante até 1929, quando Howard Hughes, que estava refilmando Hell's Angels (1930) em versão falada, encantou-se por ela.
Terminado o filme, Jean fez uma turnê pelo país em divulgação do mesmo. Infelizmente, Hughes não tinha outros projetos para ela e acabou por vender seu contrato a MGM. A partir dai sua carreira decolou.
Estrelou em mais de trinta filmes em uma carreira que durou apenas dez anos, até 1937, durante as filmagens de Saratoga, Harlow ficou doente e faleceu, o filme teve que ser finalizado usando uma dublê filmada sempre a distância.
Durante as filmagens de Saratoga, a saúde da atriz estava debilitada e em 29 de maio de 1937 Harlow teve um colapso no set e o diretor a mandou para casa para descansar. O que aconteceu depois disso permanece um mistério.


Brigitte Helm


Brigitte Eva Gisela Schittenhelm (1906/1996) foi uma grande atriz do cinema alemão na era do cinema mudo. Seu papel de maior sucesso foi Maria (e o robô "clone" Maschinenmensch) no filme Metropolis de Fritz Lang.

Nascida em Berlim, Brigitte Helm começou a atuar aos18 anos, sendo o seu primeiro filme Metropolis. Depois de seu sucesso como Maria, Helm atuou em mais de trinta filmes antes de se aposentar em 1936. Sua filmografia incluía The Love of Jeanne Ney (1927), Alraune (1928), L'Argent (1928), Gloria (1931), O Danúbio Azul (1932), L'Atlantide (1932) e Ouro (1934).
Apesar de ter contrato de dez anos com a UFA (Universum Film AG), Helm provocou rebuliços na comunidade alemã ao se casar com um homem de origem judaica. Para fugir do regime nazista, Brigitte mudou-se para Suíça onde viveu pelo resto de sua vida com seu marido e seus filhos, se sem querer comentar sobre sua vida de atriz.



Musidora




Jeanne Roques (1889/1957), mais conhecida pelo nome artístico Musidora, foi uma famosa atriz, escritora e cineasta francesa da era do cinema mudo.
Seu auge foi como a Irma Vep na serie de Louis Feuillade chamada Les Vamps. Seu estilo "vamp" era muitas vezes comparado a outra atriz da mesma época, a Theda Bara.
Nascida em Paris, foi criada por uma mãe feminista e um pai ativista socialista. Sua carreira nas artes foi
precoce, lançando seu primeiro livro aos quinze anos e atuando no teatro. Durante os primeiros anos do cinema francês, Musidora começou sua parceira profissional com o diretor Louis Feuillade. Mas seu primeiro filme foi Les miseres de l'Aiguille, dirigido por Raphael Clamour em janeiro de 1914. Adotando o nome artistico de Musidora (do grego "o dom das musas"), ela logo achou seu lugar entre as estrelas do recém criado cinema, sendo a atriz européia mais reconhecida. Sua marca registrada era os olhos estremamente marcados pela maquiagem escura, pele pálida e roupas exóticas. Seu sucesso veio com a série Les vamps, que se tratava de uma sociedade secreta criminosa, inspirada nas façanhas da gangue Bonnot (uma gangue criminosa anarquista que atuava na França e na Bélgica entre 1911 e 1912). A série se tornou um sucesso nos cinemas franceses. Esta série e Judex são consideradas pelos cineastas o surgimento da Avant-garde, que influenciaram diretamente nos trabalhos de Fritz Lang e Luis Buñuel. Entre as décadas de 10 e início dos anos20, Musidora dirigiu dez filmes, todos os quais são perdidos com a exceção de dois: Soleil et Ombre e La Terre des Taureaux, sendo que ambos foram filmados em Espanha. Na Itália, ela produziu e dirigiu La Flamme Cachee, baseado na obra de seu amigo Colette . Numa época em que muitas mulheres na indústria cinematográfica foram relegadas ao papel de atrizes, Musidora alcançou o sucesso como produtora e diretora. Seu último filme foi uma homenagem ao seu mentor, Feuillade, intitulado La Magique Image em 1950. Musidora morreu em Paris, França, em 1957 e foi enterrada no Cimetière de Montmartre .



Louise Brooks


Mary Louise Brooks (1906/1985) foi uma atriz, modelo e dançarina norte americana do cinema mudo. Louise nasceu em Kansas, nos Estados Unidos, em 14 de novembro de 1906. Filha de um advogado, Leonard Porter Brooks, e de Myra Rude, foi uma das mais influentes atrizes do filmes mudos. Aos 4 anos de idade já estava no palco de sua cidade. Aos 15, decide ir sozinha para New York e une-se à Denishaw Dance Company, principal companhia de dança moderna americana. Em 1925 une-se ao legendário grupo Ziegfeld Follies, onde conquista posição de destaque, e faz seu primeiro filme The Street of Forgotten Men. Em seguida assinou contrato com a Paramount Pictures e em 1927 muda-se para Hollywood, onde participa de diversas produções.
Teve uma carreira breve em Hollywood, tendo participado de 24 filmes entre os anos 1925 e 1938. Sua imagem e atitudes permanecem, no entanto, como símbolos de uma época, e uma de suas características
mais lembradas será sempre o corte de cabelo liso e curto (o famoso "Channel"), que lançou moda e tornou-se um ícone dos anos 20.
Foi, sem dúvida, uma atriz à frente de seu tempo. Dona de uma beleza incomum, também era dotada de uma personalidade fortíssima e uma determinação sem igual. Numa época em que a maioria dos atores e atrizes, para ter trabalho, tornavam-se submissos e eram explorados ao máximo, mal pagos, e frequentemente nem tinham seus nomes exibidos nos créditos dos filmes, o temperamento de Louise era por demais explosivo, e ela, ao não aceitar as normas vigentes na ainda jovem Hollywood, incomodou muito aos donos de estúdios.
Em 1928, após o produtor B.P.Schulberg lhe negar um aumento, Louise deixa a Paramount e embarca rumo à Alemanha a convite do diretor G.W.Pabst para filmar o filme que viria a ser o seu maior sucesso: A Caixa de Pandora, onde ela interpreta Lulu, uma mulher sedutora, que hipnotiza e destrói todos os homens que se aproximam dela. Há quem diga que sua tumultuada vida amorosa teria lhe servido de inspiração para a personagem. De fato Louise teve muitos romances, sendo o mais famoso com Charles Chaplin.
No final desse ano, ela retorna à Hollywood e, já no início da era do cinema sonoro, ainda aborrecida com a Paramount, recusa uma oferta de US$10.000 para dublar seu personagem no filme Canary Murder Case, produzido sem som e por isso ainda não lançado. Os produtores, furiosos com ela, espalharam o boato que Louise tinha uma voz horrível e por isso não poderia dublar o filme. Num momento em que o cinema deixava de ser mudo e produções sonoras tomavam conta do mercado, a mentira teve um efeito fulminante na carreira de Louise, e fez com que ela fosse encostada em definitivo pelos produtores e esquecida pelo público.
Em 1948, começa a escrever sua biografia, que ela mesma destrói ao terminar. Frustrada, ela teria justificado dizendo que "Ao escrever a história de uma vida, acho que o leitor não pode entender a personalidade e as ações de uma pessoa ao menos que sejam explicados os amores, ódios, e conflitos sexuais dessa pessoa. Não estou disposta a escrever a verdade sexual que tornaria minha vida digna de ser lida". Apesar disso, daí para a frente dedica-se quase que exclusivamente à literatura, até que seu seu livro Lulu in Hollywood torna-se um best seller.
Em 1955, na exposição 60 Anos de Cinema realizada no Museu de Arte Moderna, em Paris, foi colocado na entrada do prédio, em grande destaque, um imenso pôster de Louise. Perguntado porque havia escolhido Louise para aquela posição de honra e não Greta Garbo ou Marlene Dietrich, atrizes bem mais populares na época, o diretor da Cinemateque Française, Henri Langlois, fez a declaração que se tornaria eterna: "Não existe Garbo. Não existe Dietrich. Existe apenas Louise Brooks".
Com poucos amigos, Louise teve uma vida reclusa, sofrendo por muitos anos de artrite deformante, e falecendo no dia 8 de agosto de 1985, aos 78 anos de idade, em Nova York.

Para terminar, alguns Gifs que, apesar de extremamente curtos, evidenciam o talento destas atrizes notáveis.














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