Biografias - Clara Bow

segunda-feira, outubro 07, 2013

Bom, como historiadora e "dona" de fanpage, uma das coisas que mais me encantam de fazer são as biografias. Acho muito legal conhecer a história daquelas pessoas que estão por trás de seus personagens favoritos, por de trás de grandes feitos históricos ou acontecimentos importantes. Por essas e outras, vou começar a colocar aqui no blog algumas das histórias que mais me encantam, principalmente de pessoas que hoje em dia muitas pessoas sequer conheçam, mas que acho que são dignas de nota.
Para começar, nada melhor que a minha diva Clara Bow


                                   Clara Bow




Clara Gordon Bow (1905/1965) foi uma das maiores e mais famosas da Era do cinema mudo. 

Sua personagem de balconista ousada no filme "it" lhe conferiu o título de "it girl", que hoje em dia é bastante usado, infelizmente sem conhecer a sua origem e original significado.
Ela participou de 46 filmes mudos e 11 falados (a despeito do mito de que ela teria se aposentado por não ter conseguido se adaptar ao cinema falado). Os investidores falavam que em seu auge, ter Bow em um filme era um investimento 100% seguro, pois era garantido o retorno nas bilheterias.  No ápice de sua fama, ela recebeu mais de 45 mil cartas de fãs em um único mês (janeiro de 1929).

Clara Bow veio de origens humildes, do Prospect Heights, Brooklyn, um dos lugares mais perigosos de New York. Bow era a terceira filha de seus pais, suas duas irmãs mais velhas, nascidas em 1903 e 1904, respectivamente, morreram na infância. Sua mãe, Sarah Bow, foi informada por um médico para não engravidar novamente, com medo do próximo bebê morrer também. Apesar da advertência do médico, Sarah ficou grávida de Clara, no outono de 1904.
Aos dezesseis anos, Clara viu sua mãe cair de uma janela do segundo andar, e ela sofreu um ferimento grave na cabeça. Ela mais tarde foi diagnosticada com "psicose devido à epilepsia". Desde seus primeiros anos, Bow aprendeu a cuidar de sua mãe durante as crises, bem como a forma de lidar com o psicótico e episódios hostis.

Sua mãe foi internada em um hospício quando tentou matar Clara enquanto dormia, já seu pai, era um homem violento e alcoólatra, e abusou de Bow quando ela era adolescente. 
Contra a vontade de sua mãe, mas com o apoio de seu pai, Bow competiu no concurso para uma revista de cinema "fame and fortune" em 1921.  Um dos jurados descreveu a atuação de Clara como: 
"Ela é muito jovem, apenas 16 anos. Mas ela é cheia de confiança, determinação e ambição. Ela é dotada de uma mentalidade muito além de sua idade. Ela tem uma verdadeira faísca, um fogo divino. Os cinco testes de tela diferentes que ela fez, mostrou isso muito claramente, a sua gama emocional e expressão provocando um entusiasmo em cada juiz que viu os testes. Sua aparência é quase o suficiente para levá-la ao sucesso sem a ajuda do cérebro
que ela indubitavelmente possui. "
Bow, de prêmio, ganhou um vestido de noite e um troféu de prata, isso sem contar com a editora empenhada em ajudá-la a "ganhar um papel em filmes", entretanto nada aconteceu. Em 1922 Bow foi apresentada ao diretor Christy Cabanne, que lhe ofereceu seu primeiro papel em um filme, Beyond the Rainbow (1922). Nesta altura, Clara havia abandonado a escola por causa da vitória do sorteio e estava trabalhando em um escritório. 

Incentivada por seu pai, Bow continuou a visitar as agências de estúdio, pedindo papéis em filmes. Rejeitada muitas vezes por ser "gorda demais" ou "jovem demais". Elmer Clifton, que estava para rodar seu filme Down to the Sea in Ships, precisava de um "muleque" no seu elenco. Ao ver a foto de Boe na revista Motion Picture e a contratou.
Após do seu segundo filme, sua carreira decolou. No verão, ela tem uma parte "tomboy" em Grit, uma história, sobre criminalidade juvenil escrita por F. Scott Fitzgerald. Enquanto ela filmava Grit em NY, ela foi abordada por Jack Bachman que lhe propôs ir para Hollywood ganhando $50,00 por hora. Em 1923, Bow se mudou para LA, com seu pai e seu namorado.Maytime foi a primeira imagem de Bow em Hollywood, uma adaptação da opereta popular Maytime, na qual ela ensaiou "Alice Tremaine". 
Seu primeiro grande sucesso de bilheteria veio com The Plastic Age, de 1925, no papel de uma "patricinha" de faculdade. Apesar do descontentamento do estúdio, o filme foi um sucesso. Após este filme, noiva do ator Gilbert Holand, Bow se tornou um ícone "flapper", misturando elementos do guarda roupa masculino com suas roupas, criando um dos visuais mais copiados de sua época.
Em 12 de abril de 1926, Bow assinou seu primeiro contrato com a Paramount, mas somente em 1927 que ela lançou os filmes que a imortalizaram: It, Children of divorce, Rough House Rosie, Wings, Hula e Get your Man. Em It, a ruiva e de olhos expressivos, ficaria eternamente conhecida como a It-Girl, a garota que tinha "aquilo" que ninguém explicava, mas era sedutor, tanto para homens quanto para mulheres. Clara se tornou um mito sexual, ajudada pelo papel de suas personagens sempre irresistivelmente atrativas sexualmente das quais não há possibilidade de fuga por causa do "it" que elas tinham. No filme Asas, de 1927, o roteiro teve de ser reescrito para encaixar Bow no longa, já que ela já era a estrela máxima da Paramount. O filme levou o primeiro Oscar de melhor filme. 
Após este filme, ela estrelou ainda mais três filmes pela Paramount: Red Hair, Ladies of the Mob e Three Weekends, infelizmente todos perdidos. 
O estilo boêmio e de costumes "duvidosos" de Bow eram uma constante dor de cabeça, que lembrava a posição de Hollywood na alta sociedade. Ela dizia "eles gritam comigo para ser 'digna', mas quem são as pessoas dignas lá em cima? As pessoas que me tomam por exemplo? São todos esnobes, hipócritas!"
Com o advento do cinema falado, Clara manteve seu status de estrela máxima com os "talkies" The wild Party, Dangerous curves e The Saturday Night Kid. A qualidade da voz de Bow e seu sotaque não eram problema nem para Clara nem para seus fãs. O problema era que Bow estava já ficando em uma pressão extrema com a carga de trabalho e tablóides que a encabeçavam em vários escândalos, como orgias regadas a drogas e afins. Mesmo se mantendo entre as atrizes mais rentáveis, Bow já estava com sua saúde mental frágil. Aos 25 anos, Bow encerrou sua carreira mudando-se com o ator Rex Bell (que seria seu marido) para Nevada. Após alguns meses, Clara resolveu voltar a Hollywood para o mundo dos filmes "a fim de ganhar dinheiro suficiente para sair de tudo isso". Logo, todos os estúdios estavam atrás dela, incluindo estúdios do exterior. Após rejeitar a oferta de Mary Pickford, Howard Hughes e Irving Talberg, Bow assinou com a Fox para a gravação de dois filmes: Call her savage (1932) e Hoop-La (1933).
Após sua aposentadoria em 1933, Clara teve dois filhos com seu marido Rex Bell: Tony Beldam (nascido em 1934, mudou o nome para Rex Anthony Bell, Jr., morreu julho de 2011) e George Beldam, Jr. (nascido em 1938).
Infelizmente Bow começou a apresentar os distúrbios de sua mãe, chegando a tentar o suicídio. Após divorciar-se de Bell, Bow passou seus últimos anos em Culver City , Los Angeles sob o cuidado constante de uma enfermeira, vivendo uma propriedade no valor de cerca de US $ 500.000. Ela morreu de um ataque cardíaco em 27 de setembro de 1965, com a idade de 60 anos.






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